quinta-feira, 30 de setembro de 2010

A baba.


Por Ivan Pessoa*

Tudo o que escorre, liberta,
Um acesso de vida, desoculta,
O que antes estivera preso, o que resulta,
Num jorro que percorre a veia aberta.

Ao olho que vê, decerto desconcerta,
Porquanto o fluxo irrompa à linha devoluta,
Entre o dente e a carne, enquanto oferta,
Uma poça de sangue ante a prostituta.

Projeta-se a noite em pleno precipício,
Ocultando o acesso de vida, a que desaba,
Através do cálido orifício.

Como o impaciente diante o fim que nunca acaba,
Ou o avarento com o o que escorre em desperdício,
Decido pela língua nua e estanco o fluxo com baba.

1 comentários:

TéoMalvine. disse...

Nojento. Boca sedutora.